Ainda dá tempo de criar metas pra não cumprir?

Apesar de esse ano eu ter resolvido que não ia criar metas porque metas geram expectativas que são frustradas gerando angústias que causam crises que me levam a me perguntar por que de tudo isso e querer chorar — aqui estamos. Eu sei que essa vida é minha festa e eu posso chorar se eu quiser, não quero quero essa sensação pra mim porém, e não queria me frustrar com metas.

O grande problema de metas pra mim nem é frustração de não conseguir ir riscando coisas feitas de uma lista, ou me sentir um grande bosta por não ter feito nada, mas sim não ter vivida aquela experiência planejada. Como eu sou uma pessoa imaginativa — pensemos que o problema mora aí —, eu imagino como será a sensação pós, por exemplo, ler aqueles 50 livros maravilhoso durante 365 — ou 366, como em 2016 — dias de um ano. Cada palavra sorvida, os deliciosos momentos recostado apenas me envolvendo em histórias e vivendo uma vida de sonhos — porque quem não gostaria de ficar assim lendo todo dia?

Nisso que eu fico angustiado. Não é aquela angústia de processo que acomete qualquer pessoa que tem uma tarefa e em vez de executá-la fica vendo série na Netflix. Não me sinto assim durante a “não leitura” — não realização de tarefa diversa — mas após parar pra ver que não a realizei. Aí eu penso nos grandes nadas que eu fiz, penso que não consigo fazer nada na vida, nem fazer aquilo que está fácil; então imagina viajar, ser bem sucedido e ganhar dinheiro pra pagar a própria internet e a ração do gato?

Assim funciona o meu cérebro. Ele entra nesse estágio de autorretroalimentação do passado de tempos em tempos para essas análises loucas do que se desejava ser feito e do que realmente se fez.

Nesse ano eu resolvi que não vou fazer listinhas e essas metas, principalmente mais numéricas, pra eu cumpir. Vou fazer uma coisa tipo “O segredo” e imaginar um frame ou um objeto que meio que represente aquilo que quero fazer/que aconteça. Quem sabe assim eu não supere esse processo e realize mais coisas pensando não no tanto que ter aquilo na hora é tudo que preciso, quero, ambiciono, me dá meu Deus, mais sim em como aquilo é apenas uma figura de algo que me motiva, tendo claro que colocar em prática/transformar no real aquilo que temos em mente não é possível em todos os seus detalhes.

Uma dessas figuras é ter um blog bem recheado de posts, mesmo que aleatórios assim e meio que escritos assim na simplicidade de um fluxo de ideias que num elaborado desejo culto de comentar um fato ou livro. Colei a essa figura a cifra da manutenção do blog, talvez dessa vez me ajude a tomar consciência e parar alguns instantes para trocar esse valor por palavras postadas. [Como este post tá saindo em fevereiro, já tá bem é claro que nem isso tá servindo de ajuda.]

Esse espaço terá um teor mais pessoal doravante, principalmente porque nunca foi vantagem nenhuma manter o blog estritamente para resenhas e coisas livrescas uma vez que nunca houve conteúdo suficiente para preenchê-lo com regularidade. Então, tenha em mente que agora eu abri meu crânio com a espátula de manteiga e agora estarei mostrando o que há dentro dele — imagina só a bagunça!

Fica aqui, agora, uma representação de como andam essas imagens mentais para 2016 já em fevereiro

(Vamos fingir que) nem tudo foi ruim até

Fonte: Tumblr. Clique e vá para o post original.

2015 foi uma ano daqueles! Uma montanha russa muito louca. Na verdade, esse ano foi mais aquele brinquedo Booster, que ao mesmo tempo que vira de ponta cabeça gira em torno de si. Foi impossível não achar desestabilizador.

Apesar disso, e os dramas pessoais e todos os outros mundiais, 2015 teve lá um pouco de coisa boa. Pouca, mas teve.

Foi um ano intenso. Na faculdade tive dois semestres e meio de aulas em vez de dois; dois grandes trabalhos e a pré-produção de outro, e muitos altos e baixos de confiança, grupos e planos. Tanta coisa que se me contassem lá atrás o que ia acontecer, ia pedir uns três anos de prazo pra fazer — e superar — tudo o que fiz.

Fiz tudo que queria

 

Muito da minha vida foi a faculdade, mas também tentei tratar suas experiências de forma diferente. Sempre sou ansioso, preocupado e supervalorizo tarefas e demandas, me angustiando. Comecei o ano assim, mas com os meses tentei levar uma vida mais livre disso, tive um pouco de sucesso — uma crise aqui e ali foi inevitável, mas cada vez menos importante.

Conheci pessoas novas, com energias tão boas que só de pensar nelas dá vontade de abraçar. Sair da zona de conforto de sociabilidade foi ótimo.

Posso dizer que quase cumpri a meta de não me preocupar tanto e viver cada coisa sem pensar na próxima. Refleti um pouco, sim, sobre os meus gostos, quem sou, qual o meu papel nisso tudo que é a vida — coisa bem existencialista de mim —, sem chegar a nenhuma conclusão porém. Isso é angustiante, no entanto, são perguntas que receberão respostas aos pouquinhos.

De tanto criar e fazer produções “profissionalmente”, fiquei estafado e não li, nem assisti quase nada de fora. Uma maratona aqui ou ali de Netflix, bem agora no finzinho de dezembro; um livro ou outro, uns bons que até me fizeram querer abraçar quem escreveu. Vitória, então.

Vai deixar saudades

 

Pra 2016, estou tentando ser bem otimista e confiante, sem criar expectativas. Tem certas coisas que vão acontecer que não consigo evitar tentar prever como será — TCC, fim da faculdade, desemprego etc. —, de resto, por enquanto, penso uma coisa por vez. Dependendo da minha vontade na hora.

Que em 2016 novas experiências venham, mas se não vierem, que a rotina tenha novas dinâmicas. Seguir a filosofia do “apenas vai”, talvez seja útil. Vamos ver.

felizanonovo

Feliz Ano Novo

 
Que 2016 seja bonzinho.
 
 

Resenha do livro “O príncipe de Westeros e outras histórias”, org. por George R. R. Martin

O príncipe de Westeros e outras histórias

Rogues
EUA, 2014
BRA, 2015

480 páginas

Fantasia, Thriller, Mistério

Organizadores:
George R. R. Martin e Gardner Dozois

Tradução:
Eric Novello, Ivar Jr., Marina Boscato, Ana Death Duarte, Taissa Reis, Carol Chiovatto, Ana Resende, Débora Isidoro e Petê Rissati

Editora:
Saída de Emergência

Classificação:
Ótimo

Um livro fascinante que reúne os melhores contos de grandes nomes da literatura fantástica. Inclui uma nova história de A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin. Se você é fã de literatura fantástica, irá se deliciar com esta antologia de contos organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois.
Obras inéditas dos melhores autores do gênero irão surpreendê-lo com enredos ardilosos e reviravoltas intrigantes. O próprio George R. R. Martin apresenta uma nova história do apaixonante e violento mundo de A Guerra dos Tronos, introduzindo um dos personagens mais canalhas da história de Westeros.
Acompanhe grandes autores, como Gillian Flynn, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Scott Lynch e muitos outros, nesta coleção de histórias emocionantes sobre vigaristas, mercenários e ladrões.

“Como o Marquês recuperou o seu casaco”, de Neil Gaiman – Eu gosto como a narrativa do Neil se constrói meio absurda, mas de certa forma nostálgica e instigante. Os personagens são figuras interessantes e atrapalhadas, como já vi antes ao lê-lo, por isso é muito legal como ele consegue apresentá-los e seu mundo numa narrativa curta.

“Proveniência”, de David W. Ball – É um autor que não conhecia, mas pela pequena biografia é alguém com credencias quando se diz respeito a pesquisa e acuidade com a realidade das suas narrativas. Na história um pastor corrupto e ambicioso compra obras de arte famosas roubadas. Alguns diálogos parecem cuspir informações demais, perdendo-nos no ritmo, porém. É um thriller envolvendo obras de arte, que parecem fazer bem o gosto estadunidense, que não estava na minha expectativa nessa antologia com nomes da fantasia.

“Qual é a sua profissão?”, de Gillian Flynn – É um conto muito bom e instigante sobre uma profissional do sexo experiente em punhetas que após alguns anos trabalhando com isso e um problema de tendão, passou a frente da clínica de “massagem” Palmas Epirituais e começou a prestar serviços como vidente. O trabalho era bem cansativo, pessoas tristes e madames com problemas conjugais. Até que aparece Susan Burke que está tendo problemas com o enteado e a suposta mansão assombrada para a qual se mudou. Ela vai se envolver nesse caso de uma forma que não será fácil de livrar dele. A narrativa fluida da Gillian foi excelente, você começa a ler e vai se envolvendo, os conflitos são bem construídos e quando acaba, num momento ainda sem tantas revelações, faz você desejar que isso seja apenas a amostra de um romance, não um conto mesmo, porque a vontade de continuar a ler é muita.

“Um jeito melhor de morrer”, de Paul Cornell – Esse foi um conto bem confuso. Ele se demora um pouco a revelar do que se trata e quem diabos é Hamilton e ao que está à mercê. Revela-se, então, que estamos lendo uma história numa tempo-espaço diferente no qual graças aos motores dos Forasteiros (alienígenas?) pode-se ter acesso aos mundos opcionais, dos quais os cortesãos europeus retiram versões novas de si para trazerem para sua dimensão, mudar suas consciências e permanecerem continuamente jovens. Hamilton é um major e se verá no meio de um teste da Majestade da Bretanha em busca de saber se esse processo é confiável e se as pessoas dos mundos opcionais são dotadas do equilíbrio ou se são ameaças para essa dimensão. Acho que o autor tentou explorar uma coisa num conto que caberia melhor em uma novela no mínimo, porque ficaram várias dúvidas e o desenlace do fim pareceu de certa forma súbito demais. Não foi dos melhores.

“Um ano e um dia na velha Theradane”, de Scott Lynch – É aquela noite do mês e Amarelle está na Marca do Fogo Caído para encontrar seus colegas, como o costume. Depois que todos eles adquiriam santuário e se aposentaram da vida de ladrões — antes que virassem estátuas iluminando as rua de Theradane —, só restam-lhes beber e jogar carteado. Mas, como também é costume, o embate externo entre os magos do Parlamento do Conflito está desestabilizando o tempo e um dos monstros da maga Ivovandas acaba atingido o bar e atrapalhando a noite dela e de seus amigos. Bêbada e irritada, ela resolve ir até a casa dessa Ivovandas falar umas verdades, mas uma vez que a ameaça e descumpre os termos de seu santuário — fato registrado por Ivovandas —, a maga a chantageia para o cumprimento de um favor em troca de não denunciá-la. Agora ela terá um ano e um dia para roubar a rua que é o lócus — o local de poder — do mago rival dela, Jarrow. Gostei muito desse conto, tem bastante humor e um tom gailmanesco que foi bem interessante. Nada surpreendeu vindo de Scott Lynch, um autor que fosto.

“A caravana para lugar nenhum”, de Phyllis Eisenstein – Alaric é um bardo que viaja pelo mundo aproveitando-se de seu poder de teletransporte. Certa noite, numa taverna da região desértica que visita, ele é abordado por um chefe de caravanas e acaba por se envolver nessa viagem em busca de suplementos. Piros é conhecido pelo seu comércio, mas também por carregar o misterioso Pó do Desejo, substância que encontra muitos adeptos que pagam por ele alto valor. O Pó também é a única coisa que parece manter um pouco de sanidade em seu filho Rudd. Alaric poderia avançar toda a extensão daquele trajeto por meio de sua habilidade, mas muitas vezes aproveita essas jornadas para conhecer melhor sobre os locais e suas histórias. Um deserto lhe reserva diversas delas entre suas noites cortadas por gemidos e murmúrios de sofrimento que espantam e inteiras cidades de miragem que parece chamar e seduzir aqueles que caminham pelas areias. A inalcansável cidade misteriosa, pela qual o jovem Rudd é aficionado, pode ser até um desafio para as habilidade do bardo Alaric. Apesar de não ter tantos elementos de complexidade em seu enredo, o conto da Phyllis, por ter uma narrativa muito boa e envolvente, foi bem bacana de se ler. Fluiu natural e instigante. Deu vontade de ler mais sobre a autora e esse personagem Alaric, pelo qual é conhecida.

“Galho envergado”, de Joe R. Lansdale – Hap é um guarda noturno que vez ou outra faz serviços do que se pode dizer detive particular com seu amigo Leonard. Mas pior que qualquer cliente e caso que ele enfrente, sempre é ruim ter de resolver algum problema de sua enteada Tillie. Mas não há outra coisa que ele possa fazer para sua amada Brett que ir atrás de sua filha quando uma amiga avisa que ela está desaparecida há alguns dias. Envolvida ocasionalmente com drogas e prostituição, Tillie sempre deu seus perdidos, voltando tempos depois para casa, mas dessa vez Brett sente que a coisa pode ser pior. Hap terá que ir para a pequena cidade texana onde nasceu, de onde se têm as últimas notícias da jovem, e, para resgatá-la, terá que matar ou morrer em troca de ela permanecer viva. Foi um experiência bem interessante, esse conto. Tem aquele clima rural que eu gosto, além de ser um procedural thriller de detetives particulares que não necessariamente prezam pela lei ao cumprir seu caso. Se tivesse fantasia, seria um urban fantasy bem legal e teria gostado mais.

“A árvore reluzente”, de Patrick Rothfuss – Bast é um garoto que mora com seu mestre Reshi na hospedaria Marco do Percurso, prestando-lhe pequenos serviços enquanto este lhe serve com tutor e professor. Mas Bast passa mesmo seu dia na árvore reluzente recebendo outras crianças para ajudá-las em pequenas coisas, como inventar mentiras, criar charadas ou passar informações sobre o povo encantado. Tudo isso em troca de favores e pequenas bugigangas que essas crianças possam carregar. Nesse dia, um amigo lhe pedirá, afora informações que o deixam instigado a passar, que lhe ajude a afastar seu pai que bate em sua mãe e irmã. Se fiz a matemática certo, esse é o maior conto do livro. É realmente bom e pude apreciá-lo, mesmo que faça parte de A Crônica do Matador do Rei, sem ter lido nada da série. O Patrick sabe envolver o leitor e criar uma narrativa empolgante, com personagem legais e todos os elementos que um leitor possa buscar em uma narrativa. Realmente bom, preciso pegar meu “O nome do vento” e parar de perder tempo não o lendo.

“Em cartaz”, de Connie Willis – Lindsay sai para uma tarde de cinema com as amigas Zara e Kett. Tudo bem normal, mesmo que o Cinedrome mais parece uma Disneylândia de tantas lojas e conveniências. Ver um filme parece o de menos ali. Mas é isso que ela foi lá fazer, suas amigas lhe prometeram que não iriam até ali apenas para conhecer garotos ou paquerar. Iam pelo filme Christmas carpe que ele queria muito ver. Prometera vê-lo com Jack, mas há tempos ele não dá as caras, então tudo bem. No entanto, ir a uma sessão de filme será a coisa que menos conseguirá fazer nesse sábado. De antemão tenho que dizer que após a apresentação de Connie e suas credencias como superpremiada em todos os prêmios de fantasia e ficção científica que se pode imaginar, eu estava esperando um conto de fantasia/sci-fi à altura. Infelizmente ele não veio na forma que eu desejava, mas a escrita da autora se mostrou bem fluida e envolvente, nessa história meio louca sobre uma conspiração nesses verdadeiros parques centers cinemáticos.

“O príncipe de Westeros”, de George R. R. Martin – Nesse conto do universo de As crônicas de gelo e fogo, vamos saber um pouco sobre Daemon Targaryen, irmão do rei Viserys I Targaryen, suas andanças por Westeros e a ambição de suceder seu irmão e tornar rei. George R. R. Martin apresenta diversos personagens e basicamente a ramificação completa da árvore genealógica do rei Viserys e também a dinâmica entre as figuras de outras partes de Westeros além de Porto Real. Foi um conto cheio de informações, nomes que dificilmente decorei ou suas relações entre si, mas que tem bastante dinâmica e oferece mais elementos para expandir esse universo da série de livros. Por apenas ter lido “A guerra dos tronos” não peguei toda a relação na linha história que é apresentada nessa narrativa — inclusive tive dificuldade de entender a contagem de anos que aparece nela —, porém foi de certa forma independente da linha dos livros, deixando à parte o final que não é explícito uma vez que o próprio narrador declara que o que se segue, na vida dos personagens, é de conhecimento de todos.

5 anos é tempo

cincoanos

Hoje faz cinco anos que fiz minha primeira postagem nesse blog. Uma lista dos autores mais bem pagos.

O que realmente conta, porém, é que, há cinco anos, eu voltava, animado, de uma visita relâmpago à Bienal do Livro de São Paulo e preparava uma postagem sobre ela.

Lembro muito bem daquela loucura de compras alucinadas nessa minha primeira feira após entrar no mundo literário — começara a blogar sobre livros no mês de março, em outro blog. Mais que isso, lembro do meu primeiro autógrafo e encontro com autora, que foi por meio de minha abordagem da querida Martha Argel em plena mesa de outros autores.

Durante todo esse tempo, o que mais marca são as memórias desses encontros, das bienais, dos papos e livros conhecidos. Na verdade, “todo esse tempo” em anos corridos, já que, infelizmente, nunca tive (ou me fiz ter) tanto tempo para me dedicar ao blog, mesmo ele me fazendo muito bem.

Foram cinco anos cheios de hiatos, momentos que parei a vida para estudar pra vestibular, sempre pensando que o que queria e precisava para ser melhor, mais feliz e completo estivesse no futuro. Depois disso, o que veio foram os hiatos por causa dos trabalhos da faculdade, com pequenos fôlegos aqui e ali.

Acho que nenhuma das experiências pelas quais passei nesses anos exterior à blogosfera conseguiu ser tão capaz de me dar boas perspectivas. Com o blog eu consegui me abrir mais, ver uma outra dimensão além do espaço físico ao qual estava preso e superei algumas angústias — mesmo nunca tratando delas explicitamente aqui.

Mais que escrever, eu pude ler muitas coisas que me fizeram refletir e enxergar que muitas vezes meus pesares são, sim, como minha mãe diz, menores que os quais muita gente enfrenta, no entanto, igualmente relevantes.

Tirando o fato de ter deixado a grande pequena Aguaí para (sobre)viver, enquanto estudo, a 240 km, na sem limites Bauru — que às vezes tem muito mais dissabores que o pior dos sanduíches de igual nome —, as incertezas são as mesmas. A busca por descobrir de que gosto verdadeiramente e o que vim fazer nessa vida são tais quais as que o meu eu um pouco mais jovem tinha a um ano de terminar o ensino médio.

A um ano, e mais possíveis acréscimos grevistas, de me formar na universidade, tudo parece ter a mesma cara da insegurança de ensino médio e do “que que vou fazer?” no futuro — apenas mais complicado, talvez, por seu teor acadêmico.

Sigo, ainda, não me sentindo completado por nada que faço, apenas indo pelo fluxo tortuoso atrás de um objetivo que nem claro ou verdadeiramente meu pode ser.

As reclamações são as mesmas, a falta de tempo só mais apertada e a ansiedade agravada pelos prazos e grandes pressões de projetos. Talvez eu pouco curto as coisas e mais sobrevivo.

Só espero que em cinco anos tenha mudado esse ponto e possa compartilhar esse trajeto — mais às claras se dobrar o tempo e botar planos pro blog em prática — com quem acessar e ler o que escrever aqui.

À frente, espero, mais cinco anos de eventos, encontros, aprofundamento de laços e, utopicamente, completude.

The Lover Book Tag

miniaturapost

Apesar de passarmos por algumas leituras decepcionantes (veja minha resposta à The Hater Book TAG aqui), sempre encontramos, ao desbravarmos nossa pilha de leitura, aqueles livros muito bons, que viram nossos grandes amores, seja por sua história, narrativa, ou personagens. Para fazer um contraponto ao ódio destilado na última TAG, respondo agora a The Lover Book Tag para distribuir meu amor pelos livros, personagens, capas mais maravilhosos da minha estante. Esta TAG também foi criada pelo Henri B Neto do Na minha estante e você pode conferir o blog dele aqui, ou seu canal. Não deixe de conferir o vídeo!

Resenha do livro “Aconteceu em Veneza”, de Molly Hopkins

Aconteceu em Veneza

It happened in Venice
EUA, 2012
BRA, 2014

464 páginas

Romance, Chick-Lit, Drama

Autor:
Molly Hopkins

Tradução:
Maria Ângela Amorim de Paschoal

Editora:
Novo Conceito

Nem sempre dá para traçar o próprio roteiro de viagem. Às vezes é melhor fechar os olhos e esperar pelo desembarque. Ele traiu, mas foi uma única vez! Evie Dexter prometeu perdoar seu noivo, Rob — e todos os esforços para absolvê-lo de seus pecados estão valendo a pena: nos últimos 10 dias, ela só o chamou de cafajeste 11 vezes. Graças aos céus, sua carreira de guia de turismo está indo muito bem. Ela já conheceu a elegante Dublin, a estilosa Marrakesh e a descolada Amsterdã. Quando Evie é convidada para visitar, com todo o luxo e glamour, a sensual cidade de Veneza, com seu vinho delicioso e os italianos impetuosos, ela agarra a oportunidade com unhas e dentes. Uma viagem diferente surge do nada na vida de Evie, e é a chance que ela esperava para decidir de uma vez o que fazer com seu noivo, o inconstante Rob. Ingenuamente, ela imaginou que Veneza significaria uma pausa em seus problemas… Mas que nada! Dois homens muito charmosos, uma amiga confidente — e um pouco atrapalhada — e um noivo que não para de aprontar. Com esses ingredientes, é difícil se concentrar em qualquer decisão. Surpresas, encontros tórridos, muitas gargalhadas com os desabafos da nossa guia de turismo favorita. A continuação de Aconteceu em Paris não poderia ser mais perfeita. Aconteceu em Veneza é hilário, inteligente e tão envolvente que diverte o leitor até a última página.

“Aconteceu em Veneza” é a continuação do livro “Aconteceu em Paris”, que não li, mas, depois deste, entrou para a wishlist.

No primeiro livro da série, Rob trai sua noiva Evie e eles passam por alguns perrengues na relação. Mas Evie, por nutrir um sentimento tão grande pelo noivo, decide perdoá-lo e seguir em frente. Neste contexto bem básico, em “Aconteceu em Veneza” o relacionamento deles está estável (talvez até um pouco demais para o gosto de Evie) e ela decide levar a vida adiante e esquecer o passado. No entanto, Evie fica relembrando o tempo todo da traição de Rob e não consegue superar… tudo na sua vida fica mais complexo do que antes parecia. Talvez seu olhar também tenha mudado ao observar Rob

Evie é uma guia de turismo e, por conta da sua profissão, viaja muito para muitos lugares diferentes. Quando aparece a oportunidade de fugir da bagunça que sua vida parecia ter virado, não pensa duas vezes ao decidir ir para Veneza.

Preciso dizer que esse foi um livro delicioso de ler. Evie tem uma personalidade sensacional, muito diferente da minha, mas muito engraçada. Me colocou, em vários momentos, para pensar e ficar apreensiva com os acontecimentos futuros da narrativa. Além de poder acompanhá-la para as viagens que faz por conta da sua profissão, podemos “ver” vários lugares turísticos pelos olhos de alguém tão especial. No entanto, esperava sentir mais na narrativa os ambientes que Evie visitou. A escrita podia ser mais detalhada e descritiva, só o tempo todo esteve focada na relação, sentimentos e pensamentos da protagonista (o que não me fez odiar o livro, só achá-lo mais repetitivo do que gostaria).

NikkiNikki merece um parágrafo todo só pra ele. Que homem, gente! Daqueles rabugentos que todos têm receio de chegar perto, mas um anjo com seus amigos e dono de um coração de açúcar. É muito gostoso ver sua preocupação com a amiga e poder acompanhar o relacionamento que ele, juntamente com Lulu, tem com a personagem central do livro. Os três formam um trio sensacional, que me fez dar várias risadas ao longo da história. Além, claro, de ter me derretido acompanhando a aproximação deles da metade do livro até o final.

O livro não me desapontou e, apesar de não ter lido o primeiro, consegui me adaptar à personalidade da protagonista (que, olha, me fez suar em alguns momentos — que mulher impulsiva!) ao enredo e à ambientação bem rápido. É um romance bacana para uma tarde de preguiça e valeu o tempo investido; substitui bem aquela comédia romântica que você vê quando está para baixo ou só quer se distrair sem pensar muito. Entretenimento puro e simples.

The Hater Book Tag

miniaturapost

Quem está sempre em busca de incrementar o número de leituras e, mais que isso, desbravar novos territórios e títulos, pode acabar caindo em enrascadas e odiar alguns dos livros, personagens e situações que aparecem no caminho. Para ilustrar alguns dos itens e ocasiões de ódio literário, eu respondi à The Hater Book Tag criada pelo Henri B Neto do Na minha estante (link do blog, e do canal). Confira!

Resenha do livro “Vango – Entre o céu e a terra”, de Timothée de Fombelle

Vango – Entre o céu e a terra

Vango – Entre ciel et terre
FRA, 2010
BRA, 2015

360 páginas

Aventura, Histórico, YA

Autor:
Timothée de Fombelle

Tradução:
Maria Alice Sampaio Dória

Editora:
Melhoramentos

Classificação:
Excelente

Num mundo entreguerras, um jovem prestes a se ordenar padre se vê suspeito de um crime e em fuga. Ele, então, sai em busca de salvar sua pele e, ao mesmo tempo, descobrir a própria identidade. No romance de Timothée de Fombelle acompanhamos Vango em situações e lugares improváveis — como um intruso escondido num caça da SS, galopando nas Terras Altas da Escócia, dependurado num vulcão italiano ou sobrevoando o Brasil e vários outros lugares num zepelim. Também fazem parte da saga outros personagens marcados por vidas cheias de segredos, como Mademoiselle, a Senhora Poliglota e sem memória com quem Vango é salvo do naufrágio na costa da Sicília aos três anos de idade e Hugo Eckner, personagem verídico, comandante alemão do Graf Zepelin, esse grande dirigível que fascinou o mundo nas primeiras décadas do século XX. Outras personalidades incorporadas à história são Joseph Stalin, sua filha Svetlana e Adolf Hitler.

E se você perdesse a memória do passado e apenas restasse o sentimento de que não está seguro e que conspiradores perigosos estão atrás de você? É assim que sempre foi a vida de Vango, desde que ele e sua babá Mademoiselle apareceram, misteriosamente, nas pequenas Ilhas Eólicas da Itália. Ele, muito novo, não tinha nenhuma memória de seu passado, e a sua babá também sempre afirmou que não se lembrava de nada. Esse silêncio dela serviu para alimentar ainda mais a paranoia de Vango.

O livro começa alguns anos depois, em 1934, quando Vango está em Paris prestes a se ordenar padre em uma cerimônia na Catedral de Notre Dame. A narrativa começa a todo vapor e já nos vemos no meio do mistério e da ação, com Vango sendo perseguido pela polícia acusado de um crime e também sendo visado por um misterioso mercenário.

A partir daí é que vamos conhecer um pouco mais sobre esse jovem que está sempre em fuga e algumas das pessoas que já cruzaram seu caminho. A narrativa do Timothée de Fombelle, vai se construindo por meio de flashes do passado, voltas para o presente e diversos pontos de vistas. De uma garota das highlands escocesas a um piloto de dirigíveis dissidente do regime nazista alemão. Do inspetor de polícia a caça de Vango a Svetlana Stalin que ouve o pai sempre conversando sobre a procura do misterioso garoto a quem chamam Pássaro.

Eu tenho que dizer que essa ocorrência de vários pontos de vista não atrapalhou a narrativa. Em certas ocasiões, os autores usam esse artifício para dar maior dimensão ao seu universo e para nos dar várias perspectivas, buscando nos engajar mais na história, só que nem sempre esse efeito é gerado e, ao me apegar a determinado personagem, sinto falta de sua visão quando ela é mudada para outro, ficando entediado algumas vezes até. Isso não acontece com Vango, porque a gente vê a importância de cada um dos personagens e nos apegamos a eles e às suas motivações, sem contar que o autor consegue fazer mudanças de ponto de vista, em sua narrativa em terceira pessoa, de forma muito natural e gostosa de se ler

Vango – Entre o céu e a terra” foi um livro que me surpreendeu muito. Eu não o conhecia e foi muito bom pegar para lê-lo sem expectativas, me engajando com a história de acordo com o que ia lendo e me surpreendendo com ela. O autor soube muito bem construir o suspense, encaixar os elementos do mistério e os fatos e personagens dentro da história que queria contar.

Mesmo com a trama de mistério, o livro traz muitas repostas para eles conforme vão surgindo no decorrer enredo, não passando a sensação de construir o suspense apenas na base da sonegação dos fatos. Assim, chegamos no final desse volume da história de Vango sabendo bastante sobre ele, mas ainda com muito a descobrir sobre seu passado e certas respostas que ficaram suspensas.

Essa construção de narrativa é muito positiva, porque às vezes os autores, mesmo quando se trata de séries, acabam respondendo muitos mistérios nas últimas páginas ou apenas se prendem a construir novos ou a manter os já apresentados sem solução para culminar em um gancho fatal que faz com que a gente até deseje jogar o livro na parede e gritar “por que eu li isso tudo pra acabar, assim, sem respostas!?”

Timothée de Fombelle tem essa narrativa muito boa, com uma cadência que há muito tempo eu não encontrava, me deixando muito contente com a leitura. O livro se sustenta muito bem, com seus personagens interessantes, muitos deles reais, construindo a ficção entremeada por fatos verídicos de um momento tão crítico da História da Europa de forma a prender o leitor e fazê-lo desejar mais. Assim, a existência de uma continuação é natural, há muito o que desenvolver de verdade, não parece algo “vamos vender mais um livro”, e o leitor fica querendo essa continuação pra ontem depois da última página final e, assim, saber como as pontas soltas que permaneceram se enlaçam.

Enfim, “Vango – Entre o céu e a terra” partiu facilmente de minha lista de livros por ler à de leituras favoritas. Foi uma grande surpresa para um livro do qual nunca ouvira falar e foi uma ótima experiência de leitura. Mais que recomendado para qualquer um que gosta de um bom livro de suspense que tem como pano de fundo paisagens maravilhosas e, acima de tudo, livros bem escritos que arrebatam o leitor a cada página.

Book Haul • Maio 2015

miniaturapost

Para não passar a semana em branco, resolvi postar um vídeo ao estilo “book haul” mostrando os livros que recebi de parcerias no último mês de maio. Tem muita coisa legal — e bonita — que não podia deixar de mostrar!

Resenha do livro “A mais pura verdade”, de Dan Gemeinhart

A mais pura verdade

The Honest Truth
EUA, 2014
BRA, 2015

222 páginas

Infantojuvenil, Aventura, Drama

Autor:
Dan Gemeinhart

Tradução:
Leonardo Castilhone

Editora:
Novo Conceito

Classificação:
Regular

Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha.
Mas, em certo sentido um sentido muito importante , Mark não tem nada a ver com as outras crianças.
Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram.
Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier.Nem que seja a última coisa que ele faça.
A Mais Pura Verdade é uma história preciosa e surpreendente sobre grandes questões, pequenos momentos e uma jornada inacreditável.

Em “A mais pura verdade” de Dan Guemeinhart o personagem principal Mark está passando por um momento difícil depois de saber uma notícia ruim a respeito de sua saúde já frágil. Seguindo uma promessa que fez para seu avô — que era um montanhista conhecido — antes de sua morte, ele resolve fugir de casa com seu cãozinho Beau para escalar o Monte Rainier.

Mark estava cansado de ser visto como um garoto fraco e ser aquele de quem todo mundo sente pena, por isso resolve partir da sua cidadezinha pra realizar esse que é um autodesafio que pode significar a sua morte, mas essa é a única forma de ele mostrar pra todo mundo — e para si mesmo — que é capaz, que tem forças, sim, e que mesmo sozinho ele consegue seguir uma aventura.

Intercalado com os capítulos narrados pelo Mark tem também pequenos capítulos que mostram pra gente como estão seus pais, a reação deles com seu desaparecimento e conta um pouco sobre sua melhor amiga, Jessie, a única pessoa com quem Mark falou de seus planos.

Enquanto vemos Mark passar por várias adversidades — ser roubado, passar fome e mal por falta de seus remédios — a Jessie fica debatendo internamente se fala sobre o provável destino do melhor amigo e o ajuda a ser resgatado ou continua quieta, mantendo o segredo que prometeu guardar.

Apesar de tentar passar uma boa mensagem de “não desista de seus sonhos”, “com determinação você consegue fazer o que quer mesmo que você esteja passando por momentos difíceis ou uma doença”, eu acho que o livro pecou em vários sentidos.

Mesmo sendo um livro que eles chamam lá fora de middle grade, para crianças de 8 a 13 anos, pra mim ele apresenta muitas situações inverossímeis demais. Seja porque uma criança de 12 anos, pequena e doente enfrentaria dificuldade de convencimento em certas situações que o livro apresenta, seja em termos de física mesmo, como um cãozinho que aparentemente é do porte de um chihuahua andando na neve em meio a baixíssimas temperaturas e uma tempestade sem sofrer nenhum problema mesmo que fosse afundar suas patinhas e não conseguir andar — sem contar a câmera de Mark que cai com ele n’água e não sofre nenhum dano e nem nos é explicado como isso aconteceu.

Apesar de tentar tratar de um assunto tão delicado como morte e doença grave, o livro acabou perdendo ao não explorar tanto o sentimento dos personagens e suas motivações, sendo bem tênues e beirando a inconsequência. Deu a sensação que o autor não quis ser muito dramático, principalmente por causa de seu público, mas, na minha opinião, ele perdeu muito com isso.

É difícil para um criança entender a morte, assim como ver sua vida sendo tirada de você quando ainda é tão jovem, mas um livro que tem como público-alvo crianças tão novas, ao não explorar profundamente esse assunto e ainda promover algumas atitudes prejudiciais, acaba não cumprindo aquilo que ele desejava e, talvez, causando o efeito contrário.

No fim, “A mais pura verdade” é que eu não consegui achar este livro tocante, nem, infelizmente, portador de uma mensagem edificante. Pra mim, o que ficou foi a lição de que guardar segredos numa situação que pode levar à morte de alguém é pura inconsequência e apenas pode gerar desdobramentos trágicos. A ideia dele é ainda assim muito boa, não parei de pensar como seria ver um filme do livro — desde que repensado em alguns quesitos —, mas faltou um pouco de sensibilidade da narrativa e de seu desenvolvimento, devido em parte à concisão do autor em momentos que ele devia ter sido mais prolixo.